Autismo (TEA)
Sinais de autismo em bebês: o que observar em cada fase
Por Dra. Hayane Souza3 min de leitura
Todo bebê tem o seu ritmo. Uns falam cedo, outros andam primeiro, e quase sempre está tudo bem. Mesmo assim, é natural que a família fique atenta quando algo parece diferente, principalmente na forma como o bebê olha, responde e se conecta com as pessoas.
Este artigo reúne os sinais de autismo em bebês que mais merecem atenção em cada fase. Ele não é um teste. Serve para você saber o que observar e quando vale levar a dúvida para uma consulta.
O que é o autismo, em poucas palavras
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento. Ele muda a forma como a criança se comunica, interage com as pessoas e percebe o mundo à sua volta. Por isso os primeiros sinais aparecem, quase sempre, na comunicação e na interação, antes mesmo da fala.
O autismo é um espectro: cada criança é de um jeito. Algumas mostram sinais claros muito cedo; em outras, a família só percebe com o tempo.
Sinais que merecem atenção em cada fase
As idades abaixo são aproximadas. O que conta é o conjunto e a repetição, não um dia ruim.
Por volta dos 6 aos 9 meses
- Pouco sorriso de volta quando alguém sorri para ele
- Pouca troca de olhares durante a mamada, o banho ou a brincadeira
- Poucas expressões no rosto para mostrar alegria, surpresa ou incômodo
Por volta dos 12 meses
- Não atende quando é chamado pelo nome, embora escute bem outros sons
- Não balbucia (“mamama”, “dadada”) nem tenta “conversar” com sons
- Não usa gestos como dar tchau, bater palmas ou estender os braços para pedir colo
- Pouco interesse em brincadeiras de troca, como o esconde-esconde com as mãos
Por volta dos 18 aos 24 meses
- Não aponta para mostrar algo que achou interessante
- Não leva objetos até você só para mostrar
- Fala poucas palavras ou nenhuma aos 16 meses, e não junta duas palavras aos 2 anos
- Prefere brincar sozinho e enfileirar ou girar objetos, sempre do mesmo jeito
- Reage de forma muito intensa a sons, texturas ou mudanças na rotina
Em qualquer idade
Perder habilidades que já tinha, como parar de falar palavras que já usava ou deixar de olhar e sorrir como antes, sempre merece uma conversa com o médico, sem esperar.
O que pode ser só o ritmo do bebê
Muitos bebês demoram um pouco mais para falar e se desenvolvem bem. Alguns são mais tímidos com pessoas de fora. Prematuros podem seguir um calendário próprio nos primeiros meses.
Por isso nenhum item da lista, sozinho, quer dizer autismo. O que chama a atenção é quando vários sinais aparecem juntos e se mantêm com o passar das semanas.
Quando procurar uma avaliação
Procure uma avaliação quando:
- você percebe vários dos sinais acima, por algumas semanas;
- o bebê perdeu algo que já fazia;
- a escola, a creche ou outra pessoa próxima comentou a mesma preocupação;
- a dúvida não sai da sua cabeça. Ela também conta.
Na consulta, a família conta a história do bebê e o médico observa como ele brinca, se comunica e reage. Vídeos do dia a dia gravados no celular ajudam muito, porque mostram o bebê em casa, à vontade.
Entender cedo não é rotular. É ganhar tempo para apoiar o desenvolvimento da criança da forma que ela precisa. Saiba como funciona o atendimento a crianças com autismo em Vitória da Conquista.
Perguntas frequentes
Com quantos meses dá para perceber sinais de autismo?
Alguns sinais podem aparecer antes do primeiro ano, principalmente na troca de olhares e na resposta ao nome. Muitas famílias percebem com mais clareza entre 12 e 24 meses, quando a fala e os gestos deveriam ganhar força.
Meu bebê não olha nos olhos. Ele é autista?
Não necessariamente. Pouco contato visual é um dos sinais, mas sozinho não define nada. A avaliação olha o conjunto: como o bebê se comunica, brinca, reage às pessoas e se desenvolve ao longo dos meses.
Vale esperar para ver se melhora?
Se você está preocupado, não precisa esperar. Conversar cedo com um médico tira a dúvida e, quando há algo a acompanhar, permite começar os estímulos certos no tempo da criança.
Em caso de crise ou risco imediato, ligue para o CVV (188) ou o SAMU (192).
Este artigo informa e não substitui uma consulta. Cada criança é única: em caso de dúvida, procure avaliação médica.